| Adestramento
Básico
Antes do início
do trabalho, todo adestrador deverá passear com o cão durante
o tempo necessário à consolidação do elo de
amizade, entendendo e se fazendo entender pelo cão e aproveitando
para estudar suas reações aos estímulos, explorando
sutilmente através de brincadeiras e elogios as suas respostas,
facilitando de modo positivo assim o estreitamento no relacionamento.
Devemos, quando
possível, introduzir em sua memória alguns comandos como:
Passear, Não e Aqui (além do brinquedo, o que certamente
facilitará o processo de aprendizado). Em se tratando de filhotes,
o colar deverá estar travado para não causar danos e traumas
(pois nesta fase podemos predispô-lo ou não a determinadas
reações). Se aplicarmos corretamente as técnicas,
corretas, observando criteriosamente a boa condução comportamental
do indivíduo, certamente obteremos êxito.
O cão
estando com toda extensão da guia livre e a vontade, o adestrador
fará brincadeiras, levando-o de um lugar para outro, sempre brincando
e incentivando, de modo a agradá-lo quando em sua companhia, introduzindo
neste momento os comandos cabíveis. “Aqui”, chamando-o pelo nome
e encurtando a guia, trazendo-o ao seu lado esquerdo, liberando - o novamente.
Poderá utilizar um brinquedo, para que o cão possa também
se familiar com objetos. Alguns cães pegarão espontaneamente
o brinquedo lançado ao chão, poderá ser juntamente
com o comando busca, o que facilitará muito no futuro, enquanto
noutros teremos que introduzir o objeto em sua boca deixando-o à
vontade para que brinque e passeie, a fim de acostumar-se com o mesmo.
Brincando
também com uma bolinha de tênis ou salsicha de cizal para
desenvolver sua mordedura, sempre reforçado ao máximo o interesse
por brinquedos. Neste momento devemos conhecê-lo bem, aproximando-o
das pessoas e outros cães a fim de sociabilizar seu comportamento,
e fazendo sua familiarização com tudo e com todos, evitando
sempre que possível à ocorrência dos estímulos
eliciadores e, quando estes surgirem, possa ser tomada uma atitude educativa,
corrigindo a intenção e não a ação,
de modo que não cause traumas ou dificulte o aprendizado pelo cão.
Este seria um forte motivo para não liberarmos o animal sem guia,
sem ter total domínio, pois poderia investir contra uma pessoa ou
outro animal qualquer, ou até mesmo contra seu condutor.
Senta
Este exercício
foi introduzido na memória do cão, na fase anterior, e agora
iremos aperfeiçoá-lo com as devidas técnicas.
Com o cão
a sua esquerda, a mão esquerda irá ao trem posterior (garupa)
do animal, formando uma pinça com o polegar e o indicador, direcionando
para baixo e para dentro (quando o cão sentar aberto). A mão
direita auxiliará puxando com a guia para cima e para a direita,
pronunciando o comando “Senta”. Agradando ininterruptamente, subindo e
descendo lentamente a mão pelo seu dorso acariciando para acalmá-lo
e conscientiza-lo que aquela é a situação mais agradável
que existe para ele (obs:corrigir a posição da cauda,
se este possuir), e mantê-lo no local, deixando o mesmo nesta posição
por algum tempo. Se houver resistência pelo animal comandaremos “Não”,
afim de corrigi-lo, comandando novamente o “Senta”, efetuando todos os
procedimentos acima até que não crie mais resistência
e execute o exercício corretamente, ganhando recompensas que lhe
proporcionem felicidade imediata, e assim, sempre que a situação
permitir, instintivamente execute o exercício.
Quando,
numa fase seguinte, o adestrador fizer alto, o cão terá que
sentar automaticamente.
Junto
A correção
o será executada da seguinte forma: o colar ajustado ao pescoço
do cão, a guia numa posição que de conforto e mobilidade
ao adestrador, este tracionará suavemente com a mão direita
para cima, para frente, para direita, a mão esquerda fará
carícias no maxilar do cão, emitirá o comando de voz
“Junto”, convidando-o a executar, tudo simultaneamente. Evitar que o cão
venha a forçar a garganta, em qualquer direção, devendo
o adestrador utilizar de sua criatividade e percepção afim
de contornar respostas indesejadas, sem, contudo, causar danos ao aprendizado
do cão.
Já
confirmado o elo de amizade, e conseguido introduzir os primeiros comandos:
"Não”, “Passear”, e “Aqui”, e ainda, sabendo sentar, que durante
o período de amizade funcionou como aproximação para
atrair o animal até o condutor, deverá ser desencadeado o
processo de ensinamento deste novo exercício. Marcar um ponto de
partida com o cão ao seu lado esquerdo - uma convenção
o internacional - colar ajustado a seu pescoço, traçará
uma reta imaginária, rompendo sempre com a perna esquerda. Primeiramente
andará em linha reta, auxílios de voz e carinhos para que
o cão se condicione a acompanhá-lo. Se atrasar dará
um leve golpe na guia para frente; sempre com passos curtos e vivos, demonstrando
dinâmica (o cão tem impulso ao movimento), se adiantar, pode-se
quebrar a trajetória, de maneira brusca para a direita, e ainda,
um leve golpe de guia para junto de si, de modo que o cão entenda
que quando se adiantar, correrá o risco de não acompanhar
a trajetória de deslocamento de seu dono. Ao se afastar, pode-se
utilizar o mesmo procedimento. No início do deslocamento, com a
saída da posição básica, com a perna esquerda,
comando de voz e ainda, nas mudanças de direção. Vale
lembrar que o cão sempre deverá executar o exercício
com satisfação.
Com a evolução
do aprendizado, pode-se variar o circuito, com deslocamentos em zigue-zague,
quadrados a esquerda e direita, círculos, trotes, meia volta, ao
som de ruídos diversos, etc.
Sempre ao fazer
alto, o cão deverá sentar automaticamente, conforme aprendera
anteriormente.
Fica (estímulo
neutro)
Sendo
estímulo neutro, o cão de fato não saberá de
sua existência, mas existe, pois o animal deverá permanecer
em seu lugar, ou na última posição, sendo reforçado
pelo comando a que se quer obter uma resposta, ocorrendo o emparelhamento
e posterior anulação de estímulos. A grosso modo,
não seria o ideal, mas é muito usual, introduzirmos o comando
e depois o extinguimos. (vide psicologia), em síntese, o cão
só sairá para acompanhar seu dono se este sair com a perna
esquerda.
Partindo
do exercício sugerido, o adestrador ensinará o cão
a ficar, passando a guia à mão esquerda, a mão direita
espalmada, voltada para a trufa do cão, tencionando a guia levemente
acima da cabeça do cão (em movimento simultâneo), sairá
lentamente com a perna direita, bloqueando a frente, se for o caso, para
que o animal não o acompanhe, utilizando o comando do último
exercício para reforçar a situação presente,
se for o caso, para que permaneça na posição desejada;
logo após retirará a perna esquerda, lentamente, reforçando
o comando anterior e posicionando-se a sua frente, permanecendo por algum
tempo; retornará ao lado direito do cão, dando-lhe recompensa.
Repetirá quantas vezes for necessário, anulando e extinguindo
os reforços do emparelhamento, aumentando a distância e posicionamento
do adestrador (semicírculos à esquerda e direita).
Deita
(Primeiro Método)
Exercício
de submissão. Para melhor postura do cão neste exercício,
o adestrador deverá observar a posição da cauda e
de seu posterior antes que o execute, tomando cuidado para que o cão
não caia para os lados, além da altura de sua cabeça,
que não deverá ficar apoiada ao solo (a posição
ideal é a de esfinge).
O Cão
estando em “Senta”, o condutor com o pulso esquerdo através da alça
da guia, sairá à frente do animal, postando-se de cócoras
a sua frente; segurará com a mão esquerda pelo antetraço
direito do mesmo, juntamente com a guia (a guia e o mosquetão não
devem ser obstáculos para o animal), e com a mão direita
o ante traço esquerdo, puxando - os levemente para baixo e para
frente, simultaneamente comandando “Deita”, mantendo-o ali por alguns instantes
e dando-lhe os devidos agrados, acalmando-o para que se sinta confortável
neste exercício. Após algumas repetições, vem
o condicionamento. Para completar o exercício, o condutor levantará
lentamente, utilizará uma porção razoável da
guia, executando semicírculos a direita e a esquerda, sempre visualizando
o mesmo; quando preciso, reforçando o comando de deitar, retomando
ao seu lado direito, e comandando “Senta”, utilizando algum estímulo
sonoro, evitando que seja utilizado um estímulo negativo (golpe
de guia), esta parte do exercício pode ser introduzida no exercício
“senta”, dependendo do cão.
Uma vez condicionado
este exercício, o adestrador introduzirá o gesto, tanto para
o exercício deita, quanto para o exercício senta, sendo que,
após efetuar o semicírculo, postar-se-á à frente
do animal, segurará a guia na mão esquerda em toda sua extensão,
o braço direito estará estendido com o dorso da mão
para cima, na direção da face do animal e comandará
“Deita” e simultaneamente gesticulará suavemente para baixo, até
que execute de forma satisfatória, respeitando-se os limites e tempos
de aprendizado do cão. Para a execução do “Senta”
o adestrador deverá proceder de maneira inversa.
Deita
(Segundo Método)
O cão
estará em “Senta”, à esquerda do adestrador com o colar ajustado
em seu pescoço, à guia estará na mão direita,
com a mão esquerda postada no suporte do mosquetão ou no
colar, fazendo um gancho com o polegar envolvendo o colar, próximo
ao pescoço, sairá com a perna direita à frente (nunca
esquecer que a perna esquerda sai simultaneamente com o comando “Junto”),
evitando que o animal não saia da posição nem rasteje
a frente, pressionará a mão esquerda, que está sobre
o colar, para baixo e para frente, simultaneamente flexionará as
pernas e comandará “Deita”, até que o animal execute o movimento,
cuidando para que não fique com a cabeça abaixada, se houver
resistência por parte do animal, corrigirá com “Não”
e reforçando o comando de “Deita”, continuando o movimento até
que o execute corretamente sem resistência, quando irá recompensá-lo.
Gradualmente irá tirar o reforço do comando, o auxílio
no colar. Poderá acariciá-lo, acalmando-o e mantendo-o no
local por alguns instantes. Em seguida o adestrador levantará lentamente,
fará semicírculo, retornando ao lado direito do animal, agradando-o
e recompensando-o.
O cão
correspondendo a este exercício, o condutor fará todos os
procedimentos acima, segurando a guia em toda sua extensão, introduzirá
o gesto exatamente como foi explicado no primeiro método, onde fará
também os semicírculos, aumentando estes até completá-los,
passando por cima de seu dorso, tocando-o levemente com os pés para
testar sua firmeza no exercício, quando posteriormente poderá
facultar o uso da guia, sem que se abra mão de critérios
básicos, como controle e segurança.
Obs: Existem
outras formas de fazer com que o cão execute o exercício
“deita”, estas outras formas serão demonstradas oportunamente, e
praticadas individualmente pelos instrumentos, sem que sejam cobradas em
verificação corrente ou final.
Aqui
Este exercício
tem uma função fundamental, é um exercício
de amizade, pois está alicerçado como sendo uma das bases
no convívio social entre ambos, onde o adestrador terá o
total controle e domínio de seu cão (nesta fase devemos evitar
correções severas), cão estará em “Senta” ou
“Deita”, o adestrador se posicionará à frente do animal,
segurará a guia na mão esquerda pela sua alça com
as pernas afastadas lateralmente, podendo estar abaixado, chamando a sua
atenção; indicará da maneira que melhor convier sua
intenção, que o cão se aproxime com velocidade e alegria,
sentando-se, quando for possível, a sua frente e, recompensando-o
sempre, reforçando a atitude de sempre ao aproximar-se do condutor,
será uma situação agradável...
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