| Quando é
preciso dizer adeus
A chegada de uma ninhada é sempre um momento de euforia, o nascimento
dos filhotes alegra o canil, a casa, a vida. Por um tempo a rotina muda,
os bebês conseguem provocar este tipo de reação.
É muito divertido acompanhar o desenvolvimento dos filhotes, identificar
a personalidade: o mais ativo, o mais tranqüilo, o mais comilão
e o mais briguento. Cada um do seu jeito é especial, mas sempre
há aquele que combina mais com nossa maneira de ser e acontece o
inevitável: ele se torna o nosso xodó, é paixão
as primeiras latidas e lambidas. Daí por diante o nosso carinho
passa a ser direcionado a esse pequeno ser e, acredite, ele retorna em
dobro para você. A relação de cão-panheirismo
aumenta a cada dia, e isso se torna parte importante de nossa vida e rotina.
Esses momentos de alegria são comuns na vida de um criador, isso
compensa todo o trabalho e esforço, mas a criação
também proporciona situações difíceis e dolorosas.
Assim como o nascimento é um fato importante, a partida desta vida
é algo com o que precisamos lidar. Algumas vezes isso ocorre de
maneira natural, quando nosso amigo já está velhinho
e nos deixa após muitos anos de convivência. Outras vezes,
um filhote nasce mais fraquinho que os outros e se vai poucos dias depois
de sua chegada.
Todas as formas de perda nos abalam, mas algumas situações
nos comovem ainda mais. Nossa última experiência deste tipo
foi bastante sofrida, nosso lindo cão de 3 anos de idade, campeão
e cão-panheiro, apresentou um problema de saúde que não
pôde ser revertido. Foram dois meses de tratamento, exames e consultas
veterinárias, medicamentos controlados, alimentação
especial e mais atenção ainda. Tudo como ele merecia e que
foi possível fazer. A esperança de vê-lo bem e alegre
novamente motivava nossas atitudes e tentativas.
Acompanhar o sofrimento do Thor foi algo pesado. Ver um cachorro tão
forte, ativo, brincalhão e cheio de personalidade ser sucumbido
pela dor nos cortava o coração.
Nosso convívio com o Thor foi curto, ele estava conosco a pouco
mais de um ano, mas o suficiente para estabelecer uma relação
de total afeto. Apesar de ser um Boxer, sua forma de agir era um tanto
agressiva quando chegou a nós, mas aos poucos a docilidade passou
a ser a rotina. Não podia ver uma bolinha que queria brincar, e
também era o defensor de todos os outros cachorros do canil. No
contato conosco era muito manhoso, chegava até o dormir no colo
(algo engraçado por ser um cachorro bastante grande).
Até que chegou o momento de dizer adeus, nos despedir definitivamente
do nosso amigo. A decisão em acabar com o sofrimento do Thor não
foi fácil, a luta por ele foi grande, mas dessa vez não conseguimos
ser vencedores. Há situações que fogem do nosso alcance
e determinação, mas se existe um céu dos animais o
Thor certamente está lá, encantando a todos com sua postura,
assim como fazia aqui conosco. Para nossa alegria ele nos deixou algumas
heranças, a última delas chegou pouco tempo depois de sua
partida. Ela se chama Drika, e alegra a todos com seu jeito sapeca.
A vida é feita de todo o tipo de acontecimentos, alguns melhores,
outros nem tanto, mas todos nos proporcionam aprendizado. E é isso
que o Thor nos deixou, o ensinamento de que é preciso lutar pelo
que acreditamos, e se tudo não sair como esperamos devemos continuar
a nossa caminhada, porque a vida não para e sempre há o que
aprender.
Autoria
Eliane Martins Coelho
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