O espetáculo da vida vai começar...
                                                     por Eliane Martins Coelho.
 

  A chegada de filhotes sempre causa alvoroço, observa-se a cadela diariamente para notar as menores mudanças e identificar o momento da chegada da ninhada. O local que será a “maternidade” para este momento é preparado com antecedência, tudo para o conforte da mamãe e dos bebês. É sempre uma alegria e muita expectativa, especialmente para saber quantos nascerão, qual o sexo e cor da pelagem (no Boxer isso sempre é uma surpresa).
  No dia 29 de setembro último estávamos novamente neste ritmo de espera, a Natasha, nossa cadela já com 8 anos, teria a sua última ninhada, uma decisão tomada por nós devido a sua idade. As preocupações eram muitas: será que necessitará uma cesariana, será que terá leite suficiente, será que todos os filhotes nascerão fortes e saudáveis. Era uma infinidade de “serás” e muita vontade de que logo chegasse o momento.
  E finalmente ele chegou, foi no final da manhã. Mas a sapeca da Natasha não quis ter seus cachorrinhos na maternidade já preparada, resolveu que um buraco cavado por ela mesma no pátio era o local ideal. Fazer o quê? Aceitamos a sua exigência. Tudo correu bem e ela se mostrou uma mamãe experiente e maravilhosa.
  Ter a oportunidade de acompanhar o nascimento de uma ninhada é uma experiência incrível. É impressionante como a natureza é sábia e perfeita, como os animais sabem exatamente o que e como fazer neste momento do inicio da vida. As mamães são carinhosas e cuidadosas, ao mesmo tempo em que também são ágeis e determinadas. E que raça maravilhosa que é o Boxer, nos deixa acompanhar tudo ao seu lado, sem reclamar ou se incomodar, nos permitem vivenciar o espetáculo da vida.
  Após todo o trabalho de parto realizado, 5 lindos filhotes nascidos, finalmente conseguimos transferir a família para a “maternidade” limpa e aconchegante. Todos os bebês foram revisados e o resultado foram 4 fêmeas tigradas e 1 macho branco, todos com suas lindas carinhas achatadas. Essa ninhada era especial para nós, pois além de ser a última cria da Natasha também representava a última cruza do Thor, nosso cão estimado e campeão, que nos proporcionou tantas alegrias e morreu prematuramente no dia 16 de agosto devido a um problema de saúde. Por estes motivos já estava decidido: ficaremos com uma fêmea da ninhada, será nossa filhotinha que representará um novo ciclo após a ausência do Thor.
  Verificamos que uma de nossas preocupações acabou se concretizando e a Natasha não produziu leite. Então, foi o momento de ajudá-la e tomarmos o seu lugar nesta tarefa, eu e meu marido nos tornamos as amas de leite da prole. Mamadeira a cada 3 horas e muita correria pela madrugada no revezamento de mamadas, cada um de nós levantava uma vez. Mesmo sendo cansativa esta rotina a alegria não deixava de fazer parte do cotidiano, estávamos participando de maneira intensa de todos os cuidados dos filhotes tão esperados e já adorados.
  Mas a vida de criador traz outros aprendizados, e um deles é saber lidar com a vitória e com a perda. Devido a problemas pós-parto, 3 filhotinhos acabaram perecendo, foram 2 fêmeas e o machinho. O macho nos deixou menos de 24 horas depois de seu nascimento, uma fêmea 3 dias depois e a terceira nós conseguimos reavivá-la, tratá-la, mas não resistiu e uma semana depois também nos deixou.
  Este episódio foi pesado, dolorido, mas uma amiga nos lembrou de um fato muito comum no meio animal: a seleção natural. A natureza mais uma vez se mostra sábia e não permite a vida aos animais que sejam fracos, não importa o motivo. Sendo assim, nossos cuidados amenizaram o sofrimento da filhotinha, mas não somos maiores do que a natureza e a cada dia tenho aprendido mais com ela e tiro preciosas lições.
  O resultado final dessa história acabou sendo 2 lindas e gulosas fêmeas, uma idêntica ao pai e outra muito parecida com a mãe. Uma destas filhotinhas já tinha sido vendida antes de seu nascimento, sua dona colocou o nome de Druska, e para acompanhar a maninha resolvemos que o nome da nossa cachorrinha seria Drika. Elas formam uma dupla muito divertida. Outro ponto positivo que esta ninhada especial nos trouxe foi a amizade da dona da Druska e sua mãe, pessoas que acompanharam todos estes momento conosco, apoiando de várias maneiras e promovendo uma troca de experiências sensacional, foram elas que nos lembraram sobre a seleção natural. 
  Há algum tempo venho observando que os cachorros nos permitem aproximação de outras pessoas com mais facilidade, motiva a comunicação e nos faz conhecer muita gente interessante.
  E o espetáculo da vida segue adiante, o aprendizado com cada experiência é constante e daqui algum tempo esta história terá continuidade com novas vidas sendo geradas pela Druska e pela Drika, mas este será um episódio para daqui alguns anos... Até lá, vamos curtir cada fase de nossas filhotas, pois o espetáculo da vida é dinâmico, esse show não para.
 

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