Se tiveres uma cadela, é positivo que entendas o ciclo reprodutivo da mesma. As fêmeas podem apresentar o primeiro cio a partir dos 6 meses de idade, podendo ocorrer mais tarde, até o primeiro ano de vida da mesma, considerado este intervalo dentro da normalidade. Acusarás o cio, ou o período reprodutivo, quando a vulva da cadela estiver inchada e sangrando, além da busca da mesma por contato físico, tanto com outros animais, quanto, eventualmente, com pessoas da casa, uma vez que os identifica como membros de uma mesma matilha. Tais alterações físicas e comportamentais são de fácil percepção. A duração do sangramento não deverá ultrapassar 11 dias, e o final deste indica a ovulação, o período fértil, normalmente entre o nono e décimo quarto dia. 

Acasalamento: Se tiveres a intenção de cruzá-la, o indicado é que isto ocorra entre o terceiro e o oitavo cio, embora seja possível antes e depois destas fases. Gosto do intervalo citado, pois é a época em que o boxer está amadurecido emocionalmente e corporeamente, evitando problemas como o desinteresse pelas crias, a falta de leite, falta de dilatação da bacia e de contrações no útero, e principalmente preservando o animal. Já o macho pode cruzar com um ano de idade, antes disso é difícil que fertilize a fêmea. A regra do “capim novo para burro velho” também é indicada para os boxers, quando indicamos um parceiro experiente (normalmente sem tanta paciência) para um iniciante (insistente e interessado), tanto macho quanto fêmea. Faças uma análise dos pontos fracos da tua cadela e encontres um macho melhorador, ou que possua as características que desejas, para que consigas filhotes tão bons ou melhores que a mãe. Tanto a fêmea quanto o macho devem estar vermifugados e com as vacinas em dia. Quanto ao intervalo das crias, um bom criador tira no máximo uma ninhada por fêmea/ano, evitando o desgaste da matriz e o eventual surgimento de filhotes raquíticos. Já se tens uma cadela boxer como animal de estimação, o que prova que és uma pessoa sensível e inteligente, indico que a cruzes no mínimo uma vez na vida, sendo o ideal próximo aos quatro anos de idade, ou melhor, no  sétimo cio, pois como para nós, o processo da procriação faz parte da vida, auxiliando no desenvolvimento emocional do ser, e por puro empirismo, tenho observado e afirmo que fêmeas que dão cria, ao menos uma vez, apresentam menores índices de câncer de útero, embora não seja este um mal freqüênte na raça. 

Gestação: A gestação nas cadelas dura em torno de 58 a 63 dias, sendo o mais comum o prazo de 60 dias, podendo ser influenciado por diversos fatores como o número e tamanho de filhotes, fases lunares, temperatura do ambiente e tantos outros. O diagnóstico da gestação pode ser dado por ultra-sonografia a partir do 27° dia e a apalpação a partir do 30° dia. Abaixo, figuras dos tamanhos dos fetos de animais de porte médio, como é o caso do boxer:


Alterações físicas na cadela serão notadas a partir da quinta semana de gestação, como o crescimento e coloração rósea das tetas, além do aumento de peso.

Alimentação: Acredito que uma boa ração para filhotes, oferecida durante todo o período de gestação e lactação da cadela seja o ideal, embora existam rações especiais para tais fases, o que nunca utilizei. O importante é que o alimento seja fornecido várias vezes por dia, pois no período de gestação, o processo de digestão é mais lento e menos produtivo. Se a ração for boa (com um mínimo de 30% de proteína, cálcio, fósforo e complexo vitamínico), não é necessária suplementação alguma. A perda de apetite é um indício de que a hora do parto está chegando... e que filhotes lindos em breve animarão a casa!!!

Banho: A cadela gestante pode tomar banho normalmente, mas deves cuidar para evitar quedas e no final da gestação não estimulares o nascimento dos filhotes por exagero nas massagens. Não utilizes produtos antipulgas. xampus concentrados ou muito fortes nos banhos da cadela, tanto na semana anterior quanto na posterior ao parto, até mesmo para evitar a perda de temperatura da mãe e dos filhotes.
 

Desenvolvimento inicial do filhote

Os cães passam por distintas fases de desenvolvimento, à semelhança dos seres humanos. O caráter do filhote é formado durante a fase de aprendizado, que ocorre entre a 3ª e a 24ª semanas de vida. As características genéticas herdadas através de acasalamentos criteriosos, aliadas a um ambiente saudável contribuirão para que o filhote atinja plenamente seu potencial, sendo o papel do proprietário, fundamental nesse período.

Período Neonatal: refere-se aos primeiros 13 dias de vida do filhote. O papel da mãe é fundamental, pois será ela quem irá fornecer-lhe alimento e calor.

Período de Transição: ocorre do 13º ao 21º dia. O filhote começa a ouvir, apurar o olfato e o paladar, engatinhar, explorar o ambiente e brincar com seus irmãos. O papel da mãe ainda é fundamental.

Período de Conscientização: ocorre do 21º ao 23º dia. É o período crucial para o desenvolvimento sensorial do filhote. Nessa fase, desaconselha-se estimular demais seus sentidos.

Período de Socialização: ocorre do 21º ao 49º dia. O filhote aprende a reagir adequadamente aos estímulos de seus companheiros caninos. Sua mãe e seus irmãos lhe ensinarão regras de boas maneiras, como por exemplo, controlar suas mordidas. Ao completar sete semanas, é possível realizar testes de aptidão dos filhotes.

Socialização Adicional: do 50º ao 84º dia de vida. Fortes tendências do filhote ao aprendizado, tornam-se evidentes a partir desse período e tudo o que o filhote assimilar, trará conseqüências a longo prazo. Os filhotes são muito suscetíveis a estímulos que induzam ao medo entre a 8ª e 11ª semanas de vida. Quaisquer experiências traumáticas, dolorosas ou assustadoras, nesse período, poderão influenciar o filhote para o resto da vida.

Amadurecimento: ocorre da 12ª a 16ª semanas, quando os filhotes começam a testar seus limites de dominância.

• Instinto de Fuga, Adolescência e Medo (novamente): começa com 16 semanas e dura até os 6 meses de idade, ou mais. Esse período de medo é semelhante ao primeiro, porém não tão nítido. Nessa fase, o filhote pode demonstrar medo tanto ao se aproximar de algo desconhecido, como também de algo que lhe seja familiar. Recomenda-se não forçar o cão a se aproximar de algo que lhe dê medo, mas também não devemos mimá-lo. O melhor a fazer é demonstrar paciência e compreensão para amenizar tal impacto e torná-la uma experiência positiva. 

O amor e a paciência são as melhores medidas para tornar seu filhote um adulto saudável e extremamente dócil, independente da raça.

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